segunda-feira, abril 12, 2010

Palavra de Honra

Os Estados Unidos estão vivendo uma crise sem precedentes. Não estou me referindo à crise econômica, que é seria e ainda persiste, pois muito já foi falado sobre ela, até mesmo neste infrequente blog.

Refiro-me a outra crise, a crise de ética. Poucos sequer notam esta crise, mas ela é muito mais séria do que qualquer outra e os brasileiros sabem bem disso, pois convivem com (ou sobrevivem a) essa crise há muitos anos.

Não creio estar exagerando, basta ver o noticiário político e de negócios.

No âmbito da política, até recentemente um candidato democrata ou republicano era eleito presidente e automaticamente adquiria uma “aura suprapartidária” - o presidente estava acima dos partidos. Os partidos podiam até discordar de algumas políticas do presidente, mas acima de tudo respeitava-se a autoridade do cargo e todos visavam também o interesse da nação e do povo, além de seus próprios interesses individuais.

O que se vê hoje? Políticos apegados ao jogo partidário, sendo contra tudo que o outro partido propõe, sendo contra só por ser contra. Com isso, nada acontece, promessas de campanha não são honradas, palavras valem cada vez menos, o nível do debate (ou deveria dizer “bate-boca”?) fica cada vez mais baixo e o povo, desiludido, distancia-se cada vez mais do processo político.

No âmbito dos negócios, o objetivo é faturar hoje, como se não houvesse amanhã. Então, lançam-se produtos de baixa qualidade, busca-se produzir pelo menor custo possível, nem que isto signifique terceirizar a produção para um país que não respeite leis trabalhistas ou sequer a liberdade do cidadão, usando mão-de-obra de baixíssimo custo, numa versão moderna de escravidão.

Como resultado, o número de desempregados e subempregados cresce e estima-se que pela primeira vez na história americana uma geração será mais pobre do que a geração que a antecedeu.

Mas esta crise acaba extrapolando para toda a sociedade, contaminando-a. Tem-se a sensação de que não há um dia em que não estoure um novo escândalo envolvendo um político, ou um artista, ou desportista, ou até mesmo um membro do clérigo.

Com isso, a sociedade como um todo perde os parâmetros de comportamento, a distinção entre o que é certo, ético, ou errado fica cada vez menos clara e isso acaba retroalimentando a crise, atingindo cada vez níveis mais baixos de comportamento.

Portanto, não ficamos surpresos quando acordos que antes eram feitos com um aperto de mão, ou com a palavra empenhada, não são mantidos, promessas não são cumpridas. Até há pouco tempo, no mundo dos negócios (e também fora dele), a honradez de um empresário era medida pelo cumprimento de suas obrigações, fossem elas financeiras, sociais, ou até mesmo morais. Valia não só o escrito, mas também o dito.

Hoje, não. Promete-se hoje, volta-se atrás amanhã. Fica o dito pelo não dito. Amizade, lealdade, honradez, integridade, tornam-se valores secundários, eclipsados por ganância, egoísmo e muita cara de pau.

Será que é esta a lição que queremos ensinar a nossos filhos? Será que essa é a herança moral que vamos legar às futuras gerações?


sexta-feira, fevereiro 06, 2009

A Crise e os Círculos

Como moro nos EUA, a pergunta que mais ouço atualmente quando falo com alguém no Brasil é: “E a crise?”. Dá vontade de responder “vai bem, obrigado” já que essa não é uma pergunta fácil de responder com seriedade.

Eu não sou economista, mas entendo bastante de economia, pois venho há anos tentando economizar para manter o meu orçamento doméstico. Não tenho experiência nenhuma de mercado de capitais, mas conheço bem o comportamento sempre crescente dos preços no supermercado.

Portanto, acho que tenho PhD em crises, já que faço parte da famosa classe média, que a cada dia perde mais a classe e se torna cada vez menos média...

No meu limitado entendimento, acho que a economia de certa forma anda em círculos, e o círculo pode ser virtuoso ou vicioso.

No círculo virtuoso, as empresas produzem e vendem, contratam mais gente, os contratados consomem, o que gera mais demanda e com isso as empresas continuam produzindo e vendendo. Essa é a situação ideal, apesar de sempre existir o risco de um desequilíbrio entre oferta e procura, o que tende a gerar aumento de preços e inflação.

No círculo vicioso, as empresas vendem pouco, cortam a produção e demitem funcionários. Os demitidos, ou não encontram colocação no mercado, ou encontram ganhando menos. Com isso, consomem menos, o que leva as empresas a vender menos. O risco nesse caso é recessão, desemprego e crise social.

Do ponto de vista de governo, o círculo virtuoso é bom, porque a economia cresce, gerando mais impostos e bens, criando emprego para as pessoas jovens que estão chegando ao mercado, e permitindo a criação (teoricamente) de uma poupança interna. Logicamente, o governo tem que ficar atento à inflação, pois esta destrói todos os ganhos e aos poucos mina a economia como um todo.

Já o círculo vicioso é ruim para os governos, porque há perda de arrecadação e aumento de despesas, com mais gente tendo que buscar seguro-desemprego, assistência social, etc., além da redução do produto nacional bruto e o conseqüente "empobrecimento" do país.

Como sabemos desde o tempo dos faraós, o certo seria economizar na época das vacas gordas, para sobreviver na época das vacas magras. Só que a coisa é mais complicada:

1- Governo nenhum tem sobras (o chamado superávit) para economizar. Todos têm dívidas, porque é muito mais popular fazer obra, assistencialismo, ou até abaixar imposto do que guardar dinheiro. Vide a situação da previdência social no Brasil, nos EUA, e pelo mundo afora.

2- As pessoas sempre querem viver acima de suas possibilidades, porque se criou uma mentalidade de consumo. Como resultado, haja financiamento, cheque pré-datado, cartão de crédito, endividamento. Se gasta primeiro para ver como pagar depois (como e quando der). Com isso, não há sobras para sobreviver na época do aperto.

Voltando então à crise americana (que acaba refletindo no resto do mundo): o que está acontecendo aqui é o círculo vicioso, depois de um longo período de círculo virtuoso.

De uma forma simplista, o último grande círculo vicioso nos EUA foi a Depressão da década de 30. De lá para cá, exceto alguns pequenos períodos de pouco ou nenhum crescimento, viveu-se um círculo virtuoso, com a economia expandindo, empregos sendo gerados e cada geração vivendo melhor que a anterior. Isso ficou bem evidente no período após a Segunda-Guerra Mundial e no período do governo Clinton.

No final do governo Clinton, a grande discussão era o que fazer com o superávit do governo! 8 anos e um desgoverno Bush depois, o país enfrenta um déficit interno e externo recordes e não parece haver solução para enfrentar uma recessão que piora a cada dia.

O povo americano, endividado como sempre e desabituado a ter que apertar o cinto, espera algum milagre ou mágica por parte do governo (ainda mais um governo novo como o do Obama), mas não há mágica que resolva uma situação tão grave da noite para o dia.

Logicamente, eu não tenho a solução para a crise, senão ficaria rico tirando proveito desse conhecimento ou então dando consultoria. Mas, acho que é básico a médio e longo prazo haver uma mudança de mentalidade passando de um modelo de consumo para um modelo de moderação, o que creio ser quase impossível, porque a geração seguinte nunca quer ser “mais pobre” que a anterior. Além disso, seria criado um paradoxo: a moderação do consumo, neste momento, iria apenas estender ainda mais o círculo vicioso e a recessão.

Uma alternativa seria dar um choque na economia, tentando fazer com que ela “pegue no tranco” e se mantenha aquecida, gerando uma pirâmide de prosperidade e entrando num círculo virtuoso. Esta opção é a que o governo americano está tentando, mas acho que de forma equivocada.

Infelizmente o que se vê são pacotes (bailouts) para os bancos, para as montadoras de veículos e para quem mais tiver um lobby forte, que apenas deixarão o governo (leia-se contribuintes) mais endividado, ao invés de medidas que criem empregos imediatamente, que melhorem a infra-estrutura (leia-se produtividade, eficiência e patrimônio) do país e que não se percam nos meandros da burocracia do governo ou nos bolsos das empresas.

Enfim, acho que essa crise vai ser um grande desafio para todos, principalmente para aqueles que vivem de salário, não têm para onde correr e nem lobby os defenda. Neste caso, resta apenas desabafar escrevendo num blog...

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Paintball

Acho que todo mundo sabe o que é paintball. Mas, para aqueles desavisados que quando crianças só brincaram de revolver de água, aqui vai a definição (obrigado, Wikipedia):

O Paintball é um esporte que consiste de um jogo onde duas ou mais equipes competem entre si, usando armas de bolas que soltam tinta ao atingir o adversário. O objetivo é apanhar a bandeira do outro grupo, na forma mais popular do jogo, e quanto mais adversários forem eliminados mais fácil fica de completar o objetivo.

Ou seja, o objetivo é “matar” o adversário dando um tiro de tinta nele. Simples...

Feitas as devidas apresentações, vamos agora ao assunto desse artigo, que são as acusações vindas de todas as partes do mundo de que Israel está empregando “força desproporcional” em Gaza.

Como esse blog não podia perder a chance de surfar na onda do politicamente correto, aproveitamos então para sermos os primeiros no mundo a lançarmos a campanha para que Israel passe a combater os terroristas com... armas de paintball!

Vocês hão de convir que a idéia é fantástica. Acabaria com vários problemas:

1- Os terroristas poderiam continuar lançando foguetes diariamente, durante o dia todo, sem serem incomodados.

2- Iriam morrer muito mais israelenses do que palestinos, aplacando a ira mundial que reclama que estão morrendo mais palestinos que israelenses. Poderiam até colocar um placar enorme, com resultados instantâneos transmitidos pela TV e pela internet, mostrando quantos israelenses estarão morrendo por dia. A ONU teria a responsabilidade de, como a entidade absolutamente neutra e honrada que é, definir de antemão a quota mínima diária aceitável de israelenses que teriam que morrer. O Lula lançaria até uma Loteria, cujo lucro reverteria para mais algum programa assistencialista e para o fundo de reeleição para o terceiro mandato, onde ganharia quem acertasse o número de israelenses mortos na semana. Os resultados seriam anunciados no domingo, no Fantástico, ou no Faustão, já que o Silvio Santos é judeu e suspeito.

3- O Irã iria desistir de conseguir armas nucleares, já que para varrer Israel do mapa bastaria qualquer arma, nem que fosse estilingue e arco e flecha. O mundo poderia finalmente respirar em paz.

4- Israel não seria mais taxado de estado nazista, já que as tropas de Hitler nunca tiveram a brilhante idéia de usarem paintball para combater as forças aliadas ou para as torturas e assassinatos nos campos de concentração.

5- Os terroristas poderiam deixar as crianças muçulmanas crescer como crianças, pelo menos brincando com paintball, ao invés de brincarem com armas de verdade.

6- Não mais assistiríamos a cenas horríveis na Al Jazeera de crianças e mulheres ensangüentadas ou mortas, porque os terroristas não iriam mais precisar usá-las como escudos humanos e nem esconder armas em mesquitas, escolas e hospitais, ou usar ambulâncias para transportá-las.

7- Os Estados Unidos continuariam a ser chamados de império capitalista demoníaco por fornecer as armas de paintball para Israel, mas poderiam ceder o controle da tinta para a OPEP, que então “regularia” o preço de forma justa, visando o bem da humanidade, como já faz hoje com o petróleo.

8- Gaza se tornaria um lugar alegre e viraria atração turística, com visitantes do mundo inteiro querendo ver a profusão de cores geradas pelos tiros de paintball em suas ruas, casas e muros. Haveria uma votação na internet para incluir Gaza entre as maravilhas do mundo moderno.

Logicamente, como em qualquer solução, por melhor que seja, logo apareceria algum espírito de porco reclamando (provavelmente a França ou uma ONG), dizendo que a tinta dos paintball está sujando a roupa dos coitados dos terroristas, que estão sem dinheiro para a lavanderia. A Cruz Vermelha e outras entidades de assistência fariam coletas de roupas e de dinheiro para ajudar a manter os terroristas limpinhos.

Os aiatolás diriam que Israel está usando tinta impura, porque os infiéis querem profanar o Islã e declarariam um novo Jihad contra o demônio sionista e o contra o império americano até que Israel passe a usar armas que disparem apenas ar.

Por fim, vencidos, os israelense que sobrassem não teriam escolha a não ser ir novamente para a diáspora. Não satisfeitos, os países árabes, reunidos em Damasco, exigiriam a imediata retirada da Palestina ocupada, alegando que o conjugado no Barata Ribeiro 194 (antigo 200), onde o que tiver restado do Estado de Israel teria se estabelecido, havia pertencido a um descendente de Maomé...

sábado, novembro 03, 2007

O Grande Complô

Há cerca de onze meses eu escrevi o meu último artigo, intitulado “Preguiça”. Coincidentemente ou não, desde então não consegui escrever mais nada – dava uma preguiça...

Não é fácil vencer a inércia, ainda mais quando se tem a responsabilidade de escrever algo que tenha algum significado para quem escreve e para quem lê. Hoje a informação – importante ou banal, está nos jornais, revistas, TV e internet, 24 horas por dia, 7 dias por semana. A gente tem uma overdose de informação e, de certa forma, acabamos ficando um pouco anestesiados, menos sensíveis aos dados e notícias que recebemos. É como o cheiro de um perfume que usamos todos os dias: depois de um tempo já não sentimos mais.

Hoje resolvi combater a preguiça e escrever sobre uma coisa que acho da maior importância (espero que você também ache) e que está muito relacionada à quantidade e à qualidade da informação que recebemos.

Recentemente assisti a um filme chamado “Zeitgeist, the Movie” (pode ser assistindo integralmente em http://www.zeitgeistmovie.com/. Está em inglês, mas tem a opção de legenda em espanhol).

Zeitgeist é uma palavra em alemão e significa "espírito da época", espírito ou atmosfera de um período específico da história, características intelectuais e culturais de uma era.

Sem estragar a história para quem for ver, o filme tenta mostrar que ao longo do tempo e de acordo com as características da época, as pessoas foram controladas e manipuladas por entidades que tinham interesses diferentes daqueles publicamente declarados. O filme começa falando de religião, passa por economia e termina abordando o terrorismo.

O filme é relativamente bem feito, com argumentos aparentemente válidos. No site inclusive há a relação das fontes usadas, o que dá um caráter de legitimidade ao que é dito.

Acabei de ver o filme meio chocado, pois ficou aquela sensação de quem foi (e está sendo) enganado esses anos todos sem nunca ter percebido nada, apesar de tão óbvio. Fui então para a internet pesquisar mais sobre os assuntos abordados. Aí veio o segundo choque: várias afirmações feitas parecem não ter fundamento!

Alerta: A partir desse ponto, talvez seja melhor você parar de ler este artigo e só continuar depois de ter assistido o filme, pois pode acabar estragando o impacto do mesmo e influenciar a sua opinião a respeito do que é mostrado.

O filme começa até bem, mostrando a influência que a visão do céu, do sol, da lua e das estrelas teve nas culturas da antiguidade, nos ritos pagãos e como as religiões incorporaram e transformaram estes ritos.

O filme então mostra como o cristianismo absorveu muitas coisas das religiões pagãs e tenta então mostrar que Cristo talvez nem tenha existido. Os argumentos são fortíssimos e impressionam.

Entretanto, ao pesquisar na internet, usando fontes sérias e estudos mais elaborados, me parece que o filme usou um fato concreto (a clara influência das religiões pagãs), para chegar a uma conclusão forçada (que Cristo sequer existiu). Muitos dos argumentos usados não parecem ter fundamento histórico e parecem uma tentativa desesperada (e muitas vezes bem sucedida) de criar no espectador aquele clima de desconfiança e de complô.

Em seguida, o filme mostra como a economia aos poucos assumiu o lugar da religião no controle das pessoas. O filme, mais uma vez, usa fatos concretos como a criação do Federal Reserve nos EUA, a abolição do padrão-ouro nos meios financeiros e a manipulação dos mercados, para chegar à conclusão de que há um plano por trás disso tudo que visa a criação de um governo mundial.

O filme tendenciosamente tenta usar fatos positivos, como a globalização e a abertura de mercados para justificar um suposto complô armado por um grupo de elite. Este grupo estaria visando o controle do mundo, através da eliminação dos países como entidades soberanas e independentes, e da criação de um governo central, de âmbito global, com controle total sobre a liberdade e a vida das pessoas, tal como um Big Brother (não é o programa e sim a entidade Orwelliana) global, onipresente e onisciente.

Para reforçar essa idéia, o filme então dá a cartada final e “mostra” como os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos nada mais foram do que um complô do governo americano!

Ora, eu também acho que as religiões de certa forma controlam as pessoas. Este controle pode ter gerado muitas coisas ruins, tais como as Cruzadas, a Inquisição, a intolerância religiosa e a idéia de que “o meu Deus é melhor que o seu”. Mas, não se pode negar a influência positiva que as religiões tiveram ao ensinar conceitos de ética, respeito, compaixão, convivência e de servir de pilar para toda a cultura existente, seja ela ocidental ou não.

Que o mercado financeiro sempre visou a maximização do lucro, não é novidade nenhuma. Que os grupos financeiros sempre procuraram influenciar os governos e as leis, até um ingênuo sabe. Mas, daí a imaginar que um grupo de “entidades pardas” estaria por trás dos eventos contemporâneos mais importantes, tais como as guerras mundiais, a guerra do Vietnam, o assassinato de Kennedy e a criação da ONU como instrumentos visando a criação de um governo único mundial, me parece um pouco de exagero.

Por fim, achar que 11 de setembro foi um complô do governo e não um ato terrorista, chega a ser desrespeito aos milhares de mortos nos atentados. Imagine a quantidade de pessoas que teria que estar envolvida no planejamento e na execução de tal complô. Estamos falando de centenas ou talvez de milhares de pessoas, todas com famílias, amigos e vizinhos. Será que nenhuma delas teve uma crise de consciência? Será que um segredo tão grande e chocante conseguiu ficar tão bem guardado até hoje, sem vazar?

O filme tenta provar também que os aviões que caíram na Pensilvânia e no Pentágono na verdade nunca existiram. Ora, então cadê os aviões, os tripulantes e os passageiros? Será que foram seqüestrados por marcianos?

Prefiro acreditar que o governo americano agiu de forma incompetente, sendo pego totalmente de surpresa e despreparado, principalmente em função da arrogância e do mito de que o território dos Estados Unidos era inatingível. Lembre que os EUA sempre enfrentaram as guerras fora de casa, nunca em seu próprio território, desde a revolta contra os domínio colonial inglês e a declaração de independência.

Concordo que o terrorismo está sendo usado em muitos casos como desculpa ou oportunidade para limitar as liberdades individuais. Concordo que talvez 11 de setembro pudesse ter sido evitado. Mas, não consigo concordar que tudo isso faça parte de um plano maior, maquiavélico e diabólico, para nos controlar e escravizar.

Acho que a humanidade nem sempre seguiu um caminho virtuoso – a Idade Média e a Alemanha nazista estão aí para nos mostrar isso, mas depois de um tempo a rota é corrigida e o caminho correto é retomado: depois da Idade Média veio o Renascimento, com um impulso vigoroso nas artes e ciências. Depois da Alemanha nazista o conceito de democracia e de combate ao racismo (que até então era considerado normal) tomou força – a criação de Israel está aí como prova viva.

Evidentemente que não vivemos em um mundo perfeito. Longe disso. Mas, prefiro acreditar que o mundo em que meus filhos e netos viverão será melhor do que aquele em que vivo, senão os conceitos de evolução e de continuidade perdem o sentido. E, sem eles, a própria vida fica vazia, sem objetivo, sem valor.

Prefiro acreditar que a gente existe por um motivo, que a nossa vida tem um significado maior e que este sim é o grande complô – criado por Deus.

sábado, dezembro 02, 2006

Preguiça

Hoje eu acordei com preguiça. Por sorte, é sábado e não preciso trabalhar. Assim, fiquei deitado e acabei pensando sobre a preguiça.

Por que será que a preguiça é uma coisa tão mal vista, por que a gente não pode se dar o direito de estar com preguiça e admitir isso sem que fique com aquela sensação de culpa, ou sem que os outros olhem para a gente como se fossemos uns inúteis?

Afinal de contas, tem bicho mais preguiçoso que gato? E todo mundo acha gato legal, bonitinho. Então, por que a gente não pode dar uma pausa de vez em quando, se espreguiçar que nem o gato e não fazer absolutamente nada?

Vejamos por exemplo a idéia de lazer. Chega o fim de semana e temos a nossa “hora de lazer”. Significa ir à praia (engarrafamento, procura por um lugar para estacionar, barraca, criança...), ir comer fora (outra vez engarrafamento, vaga, flanelinha, fila de espera...), ir ao cinema (não vou repetir), ou ir para algum lugar dançar até de madrugada, chegando em casa exaustos de tanto “lazer”.

Na segunda-feira, ao chegar no trabalho, tem sempre alguém que pergunta como foi o fim de semana. Se você disser que ficou em casa dormindo, vai ser olhado como um perdedor, ou um doente. Não, você tem que relatar atividades de deixar maratonista cansado (à propósito, correr maratona na “hora de lazer” pega bem).

E as férias? Férias boas são aquelas em que a gente viaja, de preferência passando por vários lugares, nem que seja naquele esquema de excursão em que tem horário para acordar, horário para comer, horário para ir ao banheiro, itinerário pré-definido, comandado por um sargento alemão disfarçado de guia de turismo. Férias sem fazer nada são consideradas tempo perdido.

Mas, nem sempre foi assim. Até há pouco tempo, era costume “tirar a sesta”, aquela parada no meio do dia, para almoçar e tirar um cochilo reparador. O próprio ritmo da vida era mais lento, refletindo a maior lentidão dos transportes e das comunicações. Era o tempo em que se levava horas escrevendo uma carta à mão, que era enviada pelo correio, que por sua vez a transportava por terra ou navio. Hoje em dia, a garotada acha e-mail lento! O negócio é comunicação instantânea via torpedo no celular. Me surpreendo que ainda não tenhamos o “transporte” do Jornada nas Estrelas...

Não sou contra o progresso, até porque o progresso trouxe os computadores e eu dependo deles para ganhar a vida e poder ter minhas horas de lazer. Mas, acho que está faltando um equilíbrio entre as obrigações e as horas de não fazer nada. Afinal de contas, se estamos sempre ocupados fazendo algo, seja trabalhando ou tendo lazer, quando é que paramos para pensar, para avaliar as nossas sensações, nossas idéias?

Uma vez eu li em algum lugar que um grupo de executivos americanos se reuniu com um empresário japonês para discutir uma proposta de negócio. Os americanos falavam, apresentavam slides e gesticulavam. O japonês olhava tudo calado e, depois de um tempo, fechou os olhos e ficou com uma expressão serena, relaxada. Os americanos consideraram aquilo um desaforo, falta de profissionalismo, pois acharam que o japonês havia dormido durante a reunião. Mas, estavam totalmente errados. O japonês havia fechado os olhos para se concentrar, evitando as distrações provocadas pela visão e fazer aquilo que poucas pessoas fazem: refletir antes de falar, antes de tomar uma decisão.

Assim, da próxima vez que você tiver um tempo livre, experimente não fazer nada. Experimente curtir a sua preguiça e observe os resultados. Pode ser que isso requeira um pouco de prática, afinal de contas, não se freia um trem em alta velocidade de repente.

Eu, por minha vez, ainda estou com preguiça e vou parar de escrever este artigo, para poder me dedicar à arte de não fazer nada.

sábado, outubro 28, 2006

O Crepúsculo da Democracia

Eleições no Brasil, eleições nos EUA. O que deveria ser motivo de alegria, afinal de contas a idéia é que cada cidadão democraticamente escolha aqueles que irão representar os interesses da população, tornou-se motivo de total descrença.

Descrença no processo, descrença nos candidatos, descrença nas promessas e, por tabela, descrença na capacidade dos eleitores de fazer uma escolha madura e consciente.

O processo, tanto nos EUA como no Brasil, foi aos poucos sendo deturpado. Apesar da história oficialmente registrar a criação do processo eleitoral como tendo acontecido na Grécia, imagino que ele surgiu (ou poderia ter surgido) de forma espontânea em uma pequena vila em que a comunidade local escolheu naturalmente o seu líder, provavelmente aquele que tinha mais experiência e capacidade de unir todos em torno de um objetivo: o bem comum.

Ao longo dos anos o processo foi sendo modificado e aperfeiçoado. Regras foram estabelecidas, processos foram criados, entidades de fiscalização se tornaram necessárias para garantir que tudo funcionasse de acordo com a idéia primordial de selecionar aqueles que seriam os porta-vozes das necessidades e anseios dos demais.

Só que em algum momento da história houve um desvio de objetivos, uma ruptura de processo, porque o que vemos hoje é algo que se assemelha muito mais a um misto de venda com difamação. Os candidatos usam “marketeiros” para se promoverem, criando jingles, slogans e bordões, como se fossem um produto como pasta de dentes, sabão em pó ou refrigerante. Ao mesmo tempo, as campanhas mostram mais os defeitos dos concorrentes do que as qualidades do candidato, numa guerra em que quanto pior, melhor.

Os candidatos, por sua vez, deixaram de representar o povo para defender seus próprios interesses, ou daqueles que os financiam. O que vemos então são pessoas totalmente despreparadas para assumir o poder e a delegação que receberam, se colocando acima daqueles que os elegeram, passando a fazer parte de uma elite que vive num mundo de fantasia, totalmente alheios à realidade que os cerca. São os parasitas que sugam as energias da nação, os bêbados inebriados pelo poder, os cafetões do povo.

As promessas, que deveriam claramente mostrar a linha de pensamento, as idéias e as prioridades de cada candidato, se tornaram moeda falsa. Os candidatos fingem que vão cumprir e o povo finge (ou será que nem sequer finge mais?) que acredita. Assim, as promessas oscilam entre propostas vazias de conteúdo e propostas mirabolantes, impossíveis de serem cumpridas. O jogo passa a ser falar para o eleitor aquilo que ele quer ouvir, numa show de demagogia e populismo que emburrece a todos.

O eleitor, despreparado, manipulado, confuso, ou vira massa de manobra na mão de políticos inescrupulosos, ou se torna um alienado, desistindo de influir no processo, como se dele não fizesse parte ou tivesse interesse. São extremos de uma mesma realidade: os que idolatram os candidatos e os que os ignoram.

O resultado disso tudo são campanhas milionárias, sujas e eleitos medíocres que se tornam parte de uma burocracia cada vez mais ineficiente e cara, sustentada pelo imposto pago por cada um de nós.

Talvez seja a hora de se repensar o processo político como um todo. Estamos passando por modificações profundas nas sociedades, na cultura, nos hábitos. O processo eleitoral, como é hoje, independente do país, não parece mais atender a esta nova realidade.

O problema é que modificações profundas exigem vontade e líderes, e a falta de ambos é justamente a causa de chegarmos a esta situação. É um triste e irônico ciclo vicioso.

domingo, outubro 08, 2006

O Meu é Maior que o Seu

Os deuses do marketing devem estar loucos. Ou, pelo menos, atacados de megalomania. Sim, porque foi dada a largada para a grande competição de tamanho, e não é sobre aquilo que você está pensando que estou me referindo...

A minha primeira máquina digital tinha espantosos 2 Mega Pixels, que eram suficientes para imprimir fotos em tamanho normal sem perda de qualidade. Apesar da maioria das pessoas sequer ter noção do que é o tal do Mega Pixel, hoje todo mundo quer mais e mais Mega Pixels. Até o momento em que escrevo este artigo, as máquinas no mercado vão de 5 a 10 Mega Pixels, permitindo que você imprima um pôster da sua sogra do tamanho da parede da sua sala.

E as TVs? As telas estão ficando tão grandes que vai chegar a um ponto que ao invés de comprarmos uma TV nova para a casa, teremos que comprar uma casa nova para a TV. É o multiplex doméstico.

Mas, não é só isso. Costumávamos comprar telefone sem fio, escolhendo a marca, cor e preço. Agora não. Agora temos que fazer cara de entendidos e perguntar para o vendedor se o aparelho é de 900 MHz, 2.4 GHz (1 Giga = 1000 Mega), ou 5.8 GHz, apesar de não termos a mínima idéia do que estamos falando (e nem ele).

Outro dia minha filha falou que queria um iPod. Quando eu disse que ia comprar um de 2 Gb achando que eu estava agradando, ela disse que tinha 5 Gb de músicas e que queria colocar todas no iPod. Pelos meus cálculos, se ela ouvisse música sem parar durante 12 horas por dia, ia levar cerca de uma semana para ela ouvir todas as músicas do iPod sem precisar renovar o estoque.

Eu sempre achei que celular fosse para ligar para alguém, ou para receber ligações. Não. Os gênios do marketing determinaram que um celular, para ser bom, tem que tocar mp3, tirar foto, enviar torpedo, servir de agenda, calendário, passar filme e até mesmo ser usado como cartão de crédito. Enquanto isso, o celular de 1001 utilidades tem dificuldade em fazer ligações telefônicas de qualidade, além de termos que lidar com teclas mínimas que servem para um monte de coisas ao mesmo tempo, e com menus que desafiam a nossa inteligência e paciência.

Por falar em mp3, agora todo aparelho que se preza tem que tocar mp3. Como se não tivéssemos mais nada para fazer na vida a não ser ouvir mp3. Recentemente lançaram uma escova de dentes que toca mp3 enquanto você escova os dentes. Espero que tão importante desenvolvimento para a civilização não chegue ao papel higiênico.

Outro dia estava numa loja de eletrônicos e vi um vendedor todo empolgado explicando para uma vovozinha as maravilhas do computador que ele estava tentando vender: “este computador tem uma CPU de núcleo duplo, com 4 GHz, 1 Gb de memória RAM DDR2 a 667 MHz, 4 Mb de cache L2, 300 Gb de disco serial ATA...” e por aí vai. A pobre da velhinha olhava com cara de assustada e, com jeito acanhado, perguntou se o computador serviria para mandar mensagem para os netos dela.

Em que ponto será que passamos a medir a qualidade e a adequação de algo apenas pelo seu tamanho? Será que precisamos de aparelhos que façam tudo ao mesmo tempo, ainda que mal feito, ou seria melhor termos aparelhos que fizessem o que se propõem com qualidade e simplicidade?

Se você é daqueles que tem dificuldade em fazer o relógio do vídeo cassete parar de piscar depois de ter faltado luz, aqui vai uma dica: evite produtos cujo manual seja maior do que o próprio produto. Pense duas vezes antes de comprar aquele celular do tamanho de um cartão de crédito, que vem com um manual de 457 páginas impressas em letras miúdas. Não vai dar certo...

quinta-feira, setembro 07, 2006

As 4 Estações da Vida

Está chegando o outono aqui, que muitos consideram a estação mais bonita do ano. As árvores, como que antecipando a eminente perda das folhas, resolvem dar um último show, encantando a platéia com tonalidades impossíveis de descrever, numa aquarela de cores infinitas. O sol, diretor de iluminação do show, se contém em deferência ao personagem principal, limitando-se a realçar a beleza da vegetação que se despede.

Esta mudança de estação me faz refletir sobre as mudanças que passamos ao longo da vida, me levando a uma analogia que provavelmente outros já fizeram com mais brilho. Mas, se eu fosse evitar escrever sobre aquilo que outros já escreveram, este blog ficaria em branco...

Durante a infância, somos pequenos e frágeis. Precisamos de calor e de bastante alimento para crescermos fortes e saudáveis. Rapidamente nos desenvolvemos, adquirindo características que nos acompanharão para sempre. As mudanças acontecem às vezes de um dia para o outro. Assim é a primavera: as plantas nascem, tenras e frágeis mas, com o calor do sol e se alimentando da terra e da chuva, rapidamente crescem e se desenvolvem. A primavera, assim com a infância, é a época do despertar, de abrir os olhos para o mundo que nos cerca e do qual passamos a ser parte integrante.

Na adolescência e no começo da vida adulta, somos como o verão: tudo é intenso. A energia e o brilho são fortes, as tempestades aparecem de repente, sem mais nem menos, parecendo que o mundo vai acabar, para logo desaparecerem da mesma forma repentina como surgiram. É como se a natureza, qual um adolescente, ficasse impaciente e passasse por crises de humor. As árvores, como as pessoas, consolidam seu crescimento e firmam as raízes que lhes darão sustentação para o resto da vida.

A meia idade, assim como o outono, é o período dos meio-tons. O crescimento está completo e os galhos se multiplicaram e espalharam. A intensidade é menor, a energia diminui, as marcas da vida estão registradas nos rostos e nas folhas, e a beleza se modifica, adquirindo toques sutis e uma atração diferente, madura. É a época da suavidade, da calma de quem sobreviveu às dores de crescimento da infância e às tempestades da adolescência e do início da vida adulta. É a natureza e a vida atingindo a plenitude.

O inverno e a velhice trazem o branco da neve e dos cabelos. As plantas, assim como os corpos, se tornam secas e pouco flexíveis. Mas é também o tempo de aproveitar o aconchego de casa, saborear a companhia da família, de refletir sobre as conquistas, realizações e alegrias. O inverno/velhice é quando a natureza e as pessoas se preparam para um novo período, olhando para trás com a satisfação de uma missão cumprida, imaginando o que há à frente.

Ao final do inverno, a natureza então reinicia o seu ciclo interminável. O que nos leva a indagar se o mesmo acontece com a vida. Será que há um novo ciclo de renascimento após a morte, ou será que somos como a folha seca que se perde ao vento, deixando só a lembrança e a saudade?

Quem souber a resposta, por favor escreva para este blog.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Leveza

Estive relendo este blog e notei que ele anda meio pesado. É terrorismo, guerra, falecimento e outros assuntos não muito agradáveis. Como não quero perder os cerca de dez leitores que ainda restaram (será que ainda têm dez aí?), resolvi escrever sobre algo mais ameno.

Só que escrever é fácil. O difícil é decidir sobre o que escrever, achar a famosa “inspiração”. Pode ser que para os escritores de verdade, ela venha naturalmente. Para mim, não. Normalmente eu leio algo no jornal, na internet, ou vejo alguma coisa na TV que me dá a idéia do que escrever, mas ultimamente o noticiário anda mais pesado do que o Ronaldo na Copa.

Então resolvi escrever sobre algo leve e o que mais leve que o ar? Antes que vocês dez pulem fora deste blog, ou então pensem que vou escrever sobre o 14-Bis do Santos Dumont, vou explicar.

Eu tenho procurado caminhar de manhã cedo, já que fazer ginástica dá muito trabalho e cansa. Assim, tento diminuir a minha culpa e a minha barriga. Eu ando dentro de um parque que tem perto de casa, rodeado de árvores, pássaros e mosquitos (nem tudo é perfeito).

Hoje eu estava andando pelo caminho de sempre e tive a idéia de tentar me abstrair do ambiente com o qual eu estou acostumado, por onde passo quase todos os dias, e encarar como se eu estivesse ali pela primeira vez, realmente vendo, sentindo, cheirando, aguçando os sentidos. Estava um dia bonito, céu azul, ainda não estava muito quente (é verão aqui) e, como estava úmido, estava aquele cheirinho de mato.

E então fiquei saboreando aquele ar puro, sentindo o seu friozinho matinal, o seu cheiro impregnado de natureza, degustando o ar como quem saboreia um vinho raro, buscando traços sutis de aromas variados, despertando sensações e memórias. Sim, porque o olfato funciona como um gatilho que dispara memórias arquivadas na cabeça da gente, organizadas por vários índices, inclusive de cheiros (quem não lembra do prazer de sentir o cheirinho de pão fresco da padaria, ou do cheiro da pipoca pulando da panela do pipoqueiro da esquina?).

Aquele ar, descendo do nariz até os pulmões, além de servir de combustível para a vida, me lembrou de lugares a quilômetros de distância, me transportando instantaneamente que nem no seriado Jornada nas Estrelas. Em menos de um segundo, eu estava no meio das palmeiras do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, na Mata Atlântica do Parque de Itatiaia, no Parque das Águas de São Lourenço, no clima privilegiado de Miguel Pereira...

Imediatamente, veio uma sensação boa, a felicidade de lugares e momentos vividos com alegria e prazer, de memórias que fazem a vida ter sentido e valer a pena. Em poucos segundos, e com o simples ato de respirar, foi como se o tempo tivesse parado: os mosquitos deixaram de chatear, os carros não passavam e eu podia estar em qualquer lugar, em todos os lugares e em lugar nenhum, ao mesmo tempo.

Ao final desse momento mágico, que provavelmente durou alguns segundos no meu relógio mas uma eternidade na minha mente, fui andando e olhando para o céu, lembrando daquelas comparações que mostram como somos pequenos perante o universo e o tempo.

Fiquei pensando que se a gente existe, neste universo tão imenso, e se temos a capacidade de sentir e apreciar coisas tão simples como o ar que respiramos, se somos capazes de criar e guardar universos nas nossas mentes, formados pelas nossas memórias e imaginação, pelos quais viajamos a qualquer momento, então deve haver um motivo muito bom para isso, algum plano bem maior que, só porque não conseguimos entender, não quer dizer que não exista.

Hoje, aqueles dizeres de que Deus está em todos os lugares ao mesmo tempo, como o ar que nos cerca, fizeram muito mais sentido...

segunda-feira, agosto 07, 2006

Manual Prático de Combate Ao Terrorismo

Versão atualizada e ampliada

Combater o terrorismo não é atividade fácil ou simples. Não é atividade para amadores. Combater o terrorismo exige determinação, força de vontade, persistência e, principalmente, sangue frio. Não é atividade para fracos, covardes, ou inseguros.

Este Manual não é um guia completo, nem tem a pretensão de ser uma “receita de bolo”, mas pode ser um bom guia para aqueles que têm os requisitos necessários, mas não sabem exatamente como proceder. Recomenda-se a leitura a presidentes, ministros ou secretários de estado, militares e diplomatas, embora os conceitos aqui emitidos possam ser facilmente entendidos pelo público em geral.

ATENÇÃO: Combater o terrorismo é atividade de alto risco, sendo muitas vezes letal. Este Manual não se responsabiliza por efeitos diretos ou indiretos do combate ao terrorismo.

Para efetivamente combater o terrorismo, 10 passos básicos devem ser seguidos:

1- Nunca negocie. Terrorista não vê negociação como um ato civilizado em busca de um consenso ou de um acordo. Terrorista vê negociação como um ato de fraqueza. Se você negociar hoje o seu dedo, amanhã eles não pedirão a sua mão, mas sim a sua cabeça. Portanto, nunca negocie nem faça concessões. Você só terá a perder, pois se tornará refém de quem não tem nada a perder.

2- Não use pouca força. Ao lidar com terroristas, use o máximo de força a seu dispor. Lembre-se que usando pouca ou muita força, você já começa em desvantagem, uma vez que o terrorista aceita a morte como um prêmio. Portanto, use o máximo de força para ter alguma chance de sair perdendo menos. Sim, porque contra terrorista você sempre irá perder: se usar pouca força não adianta nada e se usar muita força, será acusado de reagir “desproporcionalmente”. Se é para ficar mal, que pelo menos você fique mal acabando com (ou diminuindo) a ameaça.

3- Prepare-se para a guerra psicológica. Lembre-se que a frente de batalha não é só aquela onde tiros são disparados. Há uma outra guerra, de dimensão bem maior, correndo em paralelo, que é a guerra da opinião pública mundial. Os terroristas farão tudo para serem vistos pelos compatriotas como mártires e salvadores da pátria e pela opinião pública mundial, que carrega um complexo de culpa e quer ser politicamente correta, como os coitadinhos enfrentando os opressores.

4- Entenda que muita gente inocente vai morrer. Ainda que inaceitável, é inevitável que muita gente inocente acabe morrendo, de ambos os lados. Do seu lado, porque terrorista não tem escrúpulo – para eles os fins justificam os meios. Do lado deles, porque terrorista se esconde em escolas, hospitais, mesquitas, no meio da população civil e os usa como escudos. Para os terroristas estes inocentes, assim como eles, são mártires da causa.

5- Não conte com solidariedade. Lutar contra terroristas é uma luta solitária. Ninguém vai querer ajudar, por medo, covardia ou indiferença. Quando o terrorista atingir você, ao invés de ajuda você receberá olhares de alívio (“ainda bem que não é comigo”), falsa solidariedade (“lamentamos o ocorrido”), críticas (“você provocou a situação”) ou sugestões que não resolvem a raiz do problema (“cessar-fogo imediato”).

6- Não espere resultados rápidos. Lutar contra terroristas é atividade de longa duração. Terrorista é como a medusa: você corta uma cabeça e nasce outra. Portanto, prepare-se para uma longa, dura e dolorida jornada, mas nunca perca de vista o seu objetivo. Terrorista conta com o seu cansaço.

7- Ataque o mal pela raiz. Vá atrás dos líderes, sejam eles religiosos que incentivam a “guerra santa”, políticos que manipulam a população ignorante, ou mentores intelectuais que usam ideologia misturada com fanatismo. Lembre-se que ao atingir o líder, o resto do bando se desarticula.

8- Mantenha os seus valores. Os terroristas querem matar você, mas se não conseguirem, se dão por satisfeitos em mudar os seus valores, seu modo de vida. Lembre-se que terroristas florescem em ambientes totalitários, onde não há liberdade, conhecimento e informação. Não caia na tentação de, com o intuito de combater o terrorismo, acabar por limitar a liberdade, o conhecimento e a informação de sua população. No momento que você abrir mão do seu modo de vida, de seus valores e adotar o modo de vida do terrorista, ele ganhou a guerra.

9- Use inteligência. Seja inteligência no sentido próprio da palavra, ou inteligência no sentido de investigação, infiltração. Infiltrando o movimento terrorista, ainda que difícil e perigoso, você ganha acesso a informações que ajudarão a identificar os líderes (ver item 7), se antecipar aos atos terroristas e a melhor entender como o movimento funciona. Se preciso, use a mesma tática dos terroristas, criando os “sleepers” (agentes que passam anos inativos, aguardando a ordem e o momento de entrar em ação).

10- Se nada disso adiantar, prepare-se para viver num mundo dominado pelo Hesbollah, Hamas, Taliban e outros do gênero: coloque um turbante (ou um véu, no caso das mulheres), aprenda árabe e seja bem vindo à idade média!