terça-feira, maio 29, 2012

Diários de Viagem: 2 - Em Roma (dia 1)

A chegada em Roma foi meio tumultuada, pois o aeroporto parecia a Rodoviária Novo Rio em véspera de Carnaval. Depois de pegarmos as malas, entramos numa fila enorme para o controle de passaportes. Achamos que iríamos ficar o dia inteiro na fila, mas estranhamente estava andando bem rápido. Ao chegar a nossa vez, descobrimos o porque: você se aproximava do guichê, mostrava que tinha um passaporte (nem abria) e eles mandavam você seguir! Será que era o jeitinho italiano?

A alfândega foi inexistente - uns 2 ou 3 caras conversando num canto e todo mundo passando de passagem, direto. O terminal de chegadas também estava lotado. Pausa agora para algumas dicas para quem for a Roma:

1- Compre o Roma Pass. O Roma Pass, como o nome diz, é um passe que dá acesso grátis em Roma a dois lugares de uma lista extensa (museus e locais históricos) e desconto nos demais. A grande vantagem nesse caso é evitar as filas nas bilheterias de lugares como o Coliseu. Ele dá também uso ilimitado de ônibus e metrô (exceto o que liga ao aeroporto), por 3 dias. Mas, atenção: O Palácio e o Museu do Vaticano não estão incluídos, porque o Vaticano tecnicamente é outro país. Compramos o Roma Pass no escritório de informações turísticas do aeroporto. Ele vem com um pacotinho de informações úteis, incluindo um mapa da cidade e das linhas de ônibus e metrô.

2- Não use os caixas eletrônicos avulsos do aeroporto, pois não são seguros. No próprio terminal de chegada, lá no final, embaixo das escadas rolantes, tem uma agência de banco com um caixa eletrônico fechado, daqueles que você passa o cartão para abrir a porta. Seguro e tranquilo.

3- Como no Rio, não aceite ofertas de taxi. Vá para a "fila oficial" de taxis brancos, em frente à saída. Eles são obrigados a operar com tarifa fixa determinada pelo governo (40 Euros no momento).   

Pegamos o nosso taxi e finalmente estávamos em Roma. Uma via expressa levava do aeroporto para os bairros e ao sairmos dela tivemos a impressão de estarmos no Rio ou em Belo Horizonte, em função do trânsito, dos prédios e do aspecto das ruas. O motorista, apesar de falar pouco inglês, foi descrevendo os lugares por onde estávamos passando. Estávamos tendo o nosso primeiro tour por Roma!

Ao chegar na rua do hotel, o motorista disse que não podia entrar nela (o que depois descobrimos não ser correto) e nos deixou na esquina. Lá fomos nós puxando mala pelos paralelepípedos de Roma. Não foi exatamente uma chegada glamourosa...

Fomos muito bem recebidos no hotel, que era pequeno e cercado de lojas de marca como Prada e Gucci. A localização (motivo da nossa escolha) era ótima pois ficava a 2 minutos da Praça de Espanha e uns 5 minutos da Fontana de Trevi. A má notícia é que, sendo antigo, não tinha elevador e tivemos que carregar malas por dois lances de escada. Depois de um banho reparador para recuperar do viagem (e das 6 horas de diferença de fuso horário), estávamos prontos para as atrações do dia.

Estava um dia muito bonito e a Praça de Espanha estava lotada (depois contamos mais sobre ela). Na própria praça pegamos o metrô que levava para perto do Vaticano. As estações são bem feiosas, velhas, mas os trens estão em  bom estado e chegam com frequência, sendo a melhor opção para evitar o trânsito meio caótico da cidade. Ao descermos, andamos por alguns minutos até o Museu do Vaticano, por onde se acessa a Capela Sistina.

No caminho, uma cena que parecia Brasil: vários camelôs na rua vendendo bolsas de marca, legítimas "made in China". Aí apareceu a polícia e saíram todos correndo, para voltarem assim que a polícia foi embora. Esse programa não aparecia em nenhum guia turístico que lemos...

O Museu do Vaticano é até difícil de descrever, pelo tamanho e riqueza. São salões e mais salões com esculturas, tapeçarias, pinturas, e paredes, chão e tetos decorados. Estava muito cheio (talvez por ser fim de semana logo após o feriado de 1o de maio), com vários grupos de excursão, o que as vezes até dificultava fotografar. Andamos por vários salões e andares por mais ou menos uma hora até chegarmos à Capela Sistina.

Ao entramos na Capela, entendemos o por que de fazerem um caminho que a deixa para o final. Apesar da pouca claridade do ambiente, é de cair o queixo o trabalho de Michelangelo. As cores, as formas, as proporções, o brilho, são inacreditáveis e dão até uma sensação de estarem em 3D. É difícil até imaginar como ele conseguiu pintar de forma tão criativa e perfeita nas paredes e principalmente no teto.

A criação de Adão - Uma das muitas cenas pintadas no teto da Capela Sistina

Como a Capela ainda é usada para atividades religiosas (além de ser onde os cardinais se trancam para escolher o novo papa), é proibido fotografar e os guardas ficam o tempo todo pedindo silêncio, infelizmente com pouco sucesso, já que as pessoas parecem não conseguir se conter diante de tanta grandiosidade.

Ao sairmos da Capela, passamos por vários outros salões em direção à saída do Museu, mas depois da Capela todas as outras obras de arte pareciam sem graça, pobres, repetitivas.

Lá fora, o jogo de gato e rato entre polícia e camelôs continuava e andamos por uns 5 minutos para a Praça São Pedro. A Praça é aquela onde fica a multidão quando o Papa aparece na janela do Palácio do Vaticano. É muito maior do se imagina e é até difícil dar uma noção real pelas fotos. A fila para entrar no Palácio estava muito grande e então desistimos.

Andamos até o Castelo Sant'Angelo, que é próximo, e no caminho passamos por um prédio muito bonito, imponente, com a bandeira brasileira. Provavelmente é a embaixada do Brasil no Vaticano.

Este castelo tem uma história interessante. Ele foi construído pelo imperador romano Hadrian, inicialmente para servir de mausoléu para ele e a família. Mais tarde, talvez em função do tipo de construção e da proximidade com o Vaticano, passou a ser usado como fortaleza pelos papas, tendo um túnel sido construído ligando o castelo ao Palácio do Vaticano, como caminho de fuga para os papas. Chegou a ser usado até como prisão. Mais recentemente, fez parte da trama do livro Anjos e Demônios do Dan Brown (o mesmo que escreveu o Código DaVinci).

Do alto do castelo tem-se uma vista privilegiada de Roma e o entardecer estava muito bonito. Saindo, passamos pela ponte sobre o Rio Tibre, que é toda decorada com estátuas e cheia de camelôs. Andamos até o restaurante Porta Castelo, que como o nome diz era bem próximo do castelo e tinha boas recomendações online.

Como era ainda relativamente cedo para o jantar, o restaurante estava vazio e conseguimos uma mesa de imediato. Nossa primeira refeição em Roma foi bem típica e estava ótima: Patricia comeu gnocchi e bebeu uma legítima Peroni tamanho família, enquanto eu comi uma pizza fininha, regada à água mineral. Aliás, as águas minerais italianas, mesmos as não tão famosas como a San Pellegrino, são ótimas e geralmente são servidas em garrafas bem grandes.

De lá, pegamos o metrô de volta para a Praça de Espanha. Já era noite e a praça estava muito bonita com grandes vasos de crisântemos rosas e vermelhos, lotada como sempre, com muita gente sentada nos degraus ("Spanish Steps"). A lua cheia surgiu no céu, se esgueirando por dentre os prédios.

Ficamos sentados nos degraus tomando sorvete (outra coisa ótima na Itália), absorvendo a paisagem e o prazer de estar em Roma. Foi o fecho de ouro de um dia perfeito.

Fotos do Museu do Vaticano, Praça de São Pedro e Castelo Sant'Angelo: Clique aqui

Fotos da Praça de Espanha à noite: Clique aqui

No próximo capítulo: Viajando no tempo rumo à Roma Antiga.


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quarta-feira, maio 23, 2012

Diários de Viagem: 1 - A Caminho de Roma

Desde os tempos antigos, viajar era uma aventura. Em geral, viajava-se mais por necessidade: quer seja para fugir de inimigos, ou para buscar lugares com mais água e comida, ou até mesmo para descobrir novas terras e expandir domínios e riquezas. As viagens eram medidas em meses e anos. Os riscos eram enormes e a "aventura" era chegar vivo.

Hoje, viajamos a trabalho e por lazer. Os tempos de viagem são medidos em horas e o grande desafio é lidar com malas, atraso de vôos e aeroportos enormes e cheios.

Assim, viajar evoluiu de uma aventura arriscada, para uma aventura prazerosa: conhecer novos lugares, experimentar novos paladares, vivenciar culturas diferentes, explorar locais históricos, expandir nossos horizontes como cidadãos do mundo.

Em fevereiro, quando Vivian nos ofereceu essa viagem, a idéia inicial era ir somente a Israel, num grupo de excursão. Só que bateu o espírito de aventura e resolvemos criar o nosso próprio itinerário, sem as limitações de excursão e aproveitando para dar uma parada em Roma (afinal, todos caminhos levam à Roma).

Assim, a nossa viagem começou muito antes, com as pesquisas que Patricia e eu tivemos que fazer para criar um itinerário que fosse ao mesmo tempo ambicioso para explorarmos ao máximo essa oportunidade, mas também factível, levando em conta horários, distâncias e o nosso preparo físico.

Usamos guias de viagem (Frommer's e Fodor's), fóruns de viajantes (tripadvisor.com), sugestões de quem já foi, sites de reservas com avaliações de hotéis (bookings.com, hotels.com, venere.com), google maps para aprender a geografia dos locais e para avaliar distâncias, roteiro de grupos de excursão para ter idéias, etc. 

Depois de três meses de muita preparação, ansiedade e expectativa, finalmente chegou o grande dia. Malas prontas, foi difícil dormir na véspera, pois a antecipação era grande.

Marcelo nos deixou no aeroporto cedo e, como estava vazio, fomos comprar um café e fazer hora antes de enfrentar a aporrinhação da segurança, que ainda vai chegar ao ponto de fazer a gente embarcar pelado. Aí veio o primeiro susto: quando resolvemos entrar, a fila estava enorme e não andava. Mas acabamos chegando no portão de embarque a tempo e o vôo para NY foi tranquilo.

Chegando no JFK
No JFK foi uma maratona trocar de terminal tendo que pegar o trenzinho (Airtrain) com as malas. Eu não sei o por que de fazerem um sistema de trens que obriga você a andar uns 10 minutos com malas só para pegar o trem e ao saltar dele você ainda tem que andar mais um tanto para chegar ao check-in. Será que foi para o trem não ficar muito cansado? Isso não é só no JFK - em todos os aeroportos fazem a gente andar a bessa para pegar um meio de transporte, seja avião, ônibus ou trem, ao invés do meio de transporte andar para pegar a gente...


Como tínhamos muitas horas até o vôo para Roma, fomos para a sala VIP aproveitar um pouco de mordomia porque ninguém é de ferro.Tivemos que fazer o sacrifício de aceitar comidinhas e bebidinhas enquanto relaxávamos nas poltronas. Vida dura!

Uma VIP aproveitando a sala VIP
O vôo estava lotado, o embarque demorou e com isso o avião perdeu o lugar na fila de decolagem. Acabamos decolando com uma hora de atraso, mas em compensação o avião passou na pista do lado do hangar em que estava o 747 da NASA com o ônibus espacial Enterprise em cima e pudemos dar uma boa olhada.

O vôo não teve mais surpresas e recuperou no ar parte do atraso. Pousamos no aeroporto de Roma por volta de 10 da manhã do dia seguinte. Chegou a hora de conquistarmos o Império Romano!

Mas isso vai ficar para o próximo capítulo.

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segunda-feira, maio 21, 2012

Diários de Viagem - Introdução

O Olho Grande volta a abrir, em edição extraordinária!

Só que diferentemente dos jornalões, essa edição especial e as subseqüentes trazem notícias agradáveis.

Como muitos de vocês já sabem, Patricia e eu acabamos de chegar de uma viagem fantástica, onde visitamos muitos lugares incríveis, tiramos muitas fotos e nos divertimos bastante.

Roma - O Coliseu
Atendendo a diversos pedidos (mais de um pelo menos) e também visando reviver essa experiência, resolvemos criar os nossos "Diários de Viagem".

Assim, vocês poderão viajar conosco, ou aproveitar dicas e idéias para as suas próprias viagens.

Desta forma, cada edição especial trará um dia de viagem nosso (que nem o seriado 24, mas sem as cenas de violência).

Começaremos por Roma, depois indo a Israel, onde passearemos juntos por Jerusalém, Mar Morto, deserto do Neguev, Eilat, Netanya, Cesaréia, Akko, Galiléia, Golan, Rosh HaNikrá, Haifa e Tel-Aviv.

Mas, antes de partirmos, não poderíamos deixar de fazer alguns agradecimentos muito importantes:

Jerusalém - O Muro das Lamentações
- À Vivian, pelo desprendimento e grandeza de tornar este sonho realidade;
- Ao Marcelo, por ter cuidado tão bem da casa e dos nossos "outros filhos" (Dickie e Kahlua);
- Ao Luis, por nos ter proporcionado acesso às salas VIP, o que ajudou muito a enfrentar as esperas nos aeroportos;
- Aos amigos e familiares que torceram, apoiaram e se alegraram com a gente e pela gente.

Agora, peguem seus passaportes, façam as malas e embarquem conosco nessa viagem virtual, que começará na próxima edição. Não percam o vôo!

Clique aqui para a próxima edição.

segunda-feira, abril 12, 2010

Palavra de Honra

Os Estados Unidos estão vivendo uma crise sem precedentes. Não estou me referindo à crise econômica, que é seria e ainda persiste, pois muito já foi falado sobre ela, até mesmo neste infrequente blog.

Refiro-me a outra crise, a crise de ética. Poucos sequer notam esta crise, mas ela é muito mais séria do que qualquer outra e os brasileiros sabem bem disso, pois convivem com (ou sobrevivem a) essa crise há muitos anos.

Não creio estar exagerando, basta ver o noticiário político e de negócios.

No âmbito da política, até recentemente um candidato democrata ou republicano era eleito presidente e automaticamente adquiria uma “aura suprapartidária” - o presidente estava acima dos partidos. Os partidos podiam até discordar de algumas políticas do presidente, mas acima de tudo respeitava-se a autoridade do cargo e todos visavam também o interesse da nação e do povo, além de seus próprios interesses individuais.

O que se vê hoje? Políticos apegados ao jogo partidário, sendo contra tudo que o outro partido propõe, sendo contra só por ser contra. Com isso, nada acontece, promessas de campanha não são honradas, palavras valem cada vez menos, o nível do debate (ou deveria dizer “bate-boca”?) fica cada vez mais baixo e o povo, desiludido, distancia-se cada vez mais do processo político.

No âmbito dos negócios, o objetivo é faturar hoje, como se não houvesse amanhã. Então, lançam-se produtos de baixa qualidade, busca-se produzir pelo menor custo possível, nem que isto signifique terceirizar a produção para um país que não respeite leis trabalhistas ou sequer a liberdade do cidadão, usando mão-de-obra de baixíssimo custo, numa versão moderna de escravidão.

Como resultado, o número de desempregados e subempregados cresce e estima-se que pela primeira vez na história americana uma geração será mais pobre do que a geração que a antecedeu.

Mas esta crise acaba extrapolando para toda a sociedade, contaminando-a. Tem-se a sensação de que não há um dia em que não estoure um novo escândalo envolvendo um político, ou um artista, ou desportista, ou até mesmo um membro do clérigo.

Com isso, a sociedade como um todo perde os parâmetros de comportamento, a distinção entre o que é certo, ético, ou errado fica cada vez menos clara e isso acaba retroalimentando a crise, atingindo cada vez níveis mais baixos de comportamento.

Portanto, não ficamos surpresos quando acordos que antes eram feitos com um aperto de mão, ou com a palavra empenhada, não são mantidos, promessas não são cumpridas. Até há pouco tempo, no mundo dos negócios (e também fora dele), a honradez de um empresário era medida pelo cumprimento de suas obrigações, fossem elas financeiras, sociais, ou até mesmo morais. Valia não só o escrito, mas também o dito.

Hoje, não. Promete-se hoje, volta-se atrás amanhã. Fica o dito pelo não dito. Amizade, lealdade, honradez, integridade, tornam-se valores secundários, eclipsados por ganância, egoísmo e muita cara de pau.

Será que é esta a lição que queremos ensinar a nossos filhos? Será que essa é a herança moral que vamos legar às futuras gerações?


sexta-feira, fevereiro 06, 2009

A Crise e os Círculos

Como moro nos EUA, a pergunta que mais ouço atualmente quando falo com alguém no Brasil é: “E a crise?”. Dá vontade de responder “vai bem, obrigado” já que essa não é uma pergunta fácil de responder com seriedade.

Eu não sou economista, mas entendo bastante de economia, pois venho há anos tentando economizar para manter o meu orçamento doméstico. Não tenho experiência nenhuma de mercado de capitais, mas conheço bem o comportamento sempre crescente dos preços no supermercado.

Portanto, acho que tenho PhD em crises, já que faço parte da famosa classe média, que a cada dia perde mais a classe e se torna cada vez menos média...

No meu limitado entendimento, acho que a economia de certa forma anda em círculos, e o círculo pode ser virtuoso ou vicioso.

No círculo virtuoso, as empresas produzem e vendem, contratam mais gente, os contratados consomem, o que gera mais demanda e com isso as empresas continuam produzindo e vendendo. Essa é a situação ideal, apesar de sempre existir o risco de um desequilíbrio entre oferta e procura, o que tende a gerar aumento de preços e inflação.

No círculo vicioso, as empresas vendem pouco, cortam a produção e demitem funcionários. Os demitidos, ou não encontram colocação no mercado, ou encontram ganhando menos. Com isso, consomem menos, o que leva as empresas a vender menos. O risco nesse caso é recessão, desemprego e crise social.

Do ponto de vista de governo, o círculo virtuoso é bom, porque a economia cresce, gerando mais impostos e bens, criando emprego para as pessoas jovens que estão chegando ao mercado, e permitindo a criação (teoricamente) de uma poupança interna. Logicamente, o governo tem que ficar atento à inflação, pois esta destrói todos os ganhos e aos poucos mina a economia como um todo.

Já o círculo vicioso é ruim para os governos, porque há perda de arrecadação e aumento de despesas, com mais gente tendo que buscar seguro-desemprego, assistência social, etc., além da redução do produto nacional bruto e o conseqüente "empobrecimento" do país.

Como sabemos desde o tempo dos faraós, o certo seria economizar na época das vacas gordas, para sobreviver na época das vacas magras. Só que a coisa é mais complicada:

1- Governo nenhum tem sobras (o chamado superávit) para economizar. Todos têm dívidas, porque é muito mais popular fazer obra, assistencialismo, ou até abaixar imposto do que guardar dinheiro. Vide a situação da previdência social no Brasil, nos EUA, e pelo mundo afora.

2- As pessoas sempre querem viver acima de suas possibilidades, porque se criou uma mentalidade de consumo. Como resultado, haja financiamento, cheque pré-datado, cartão de crédito, endividamento. Se gasta primeiro para ver como pagar depois (como e quando der). Com isso, não há sobras para sobreviver na época do aperto.

Voltando então à crise americana (que acaba refletindo no resto do mundo): o que está acontecendo aqui é o círculo vicioso, depois de um longo período de círculo virtuoso.

De uma forma simplista, o último grande círculo vicioso nos EUA foi a Depressão da década de 30. De lá para cá, exceto alguns pequenos períodos de pouco ou nenhum crescimento, viveu-se um círculo virtuoso, com a economia expandindo, empregos sendo gerados e cada geração vivendo melhor que a anterior. Isso ficou bem evidente no período após a Segunda-Guerra Mundial e no período do governo Clinton.

No final do governo Clinton, a grande discussão era o que fazer com o superávit do governo! 8 anos e um desgoverno Bush depois, o país enfrenta um déficit interno e externo recordes e não parece haver solução para enfrentar uma recessão que piora a cada dia.

O povo americano, endividado como sempre e desabituado a ter que apertar o cinto, espera algum milagre ou mágica por parte do governo (ainda mais um governo novo como o do Obama), mas não há mágica que resolva uma situação tão grave da noite para o dia.

Logicamente, eu não tenho a solução para a crise, senão ficaria rico tirando proveito desse conhecimento ou então dando consultoria. Mas, acho que é básico a médio e longo prazo haver uma mudança de mentalidade passando de um modelo de consumo para um modelo de moderação, o que creio ser quase impossível, porque a geração seguinte nunca quer ser “mais pobre” que a anterior. Além disso, seria criado um paradoxo: a moderação do consumo, neste momento, iria apenas estender ainda mais o círculo vicioso e a recessão.

Uma alternativa seria dar um choque na economia, tentando fazer com que ela “pegue no tranco” e se mantenha aquecida, gerando uma pirâmide de prosperidade e entrando num círculo virtuoso. Esta opção é a que o governo americano está tentando, mas acho que de forma equivocada.

Infelizmente o que se vê são pacotes (bailouts) para os bancos, para as montadoras de veículos e para quem mais tiver um lobby forte, que apenas deixarão o governo (leia-se contribuintes) mais endividado, ao invés de medidas que criem empregos imediatamente, que melhorem a infra-estrutura (leia-se produtividade, eficiência e patrimônio) do país e que não se percam nos meandros da burocracia do governo ou nos bolsos das empresas.

Enfim, acho que essa crise vai ser um grande desafio para todos, principalmente para aqueles que vivem de salário, não têm para onde correr e nem lobby os defenda. Neste caso, resta apenas desabafar escrevendo num blog...

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Paintball

Acho que todo mundo sabe o que é paintball. Mas, para aqueles desavisados que quando crianças só brincaram de revolver de água, aqui vai a definição (obrigado, Wikipedia):

O Paintball é um esporte que consiste de um jogo onde duas ou mais equipes competem entre si, usando armas de bolas que soltam tinta ao atingir o adversário. O objetivo é apanhar a bandeira do outro grupo, na forma mais popular do jogo, e quanto mais adversários forem eliminados mais fácil fica de completar o objetivo.

Ou seja, o objetivo é “matar” o adversário dando um tiro de tinta nele. Simples...

Feitas as devidas apresentações, vamos agora ao assunto desse artigo, que são as acusações vindas de todas as partes do mundo de que Israel está empregando “força desproporcional” em Gaza.

Como esse blog não podia perder a chance de surfar na onda do politicamente correto, aproveitamos então para sermos os primeiros no mundo a lançarmos a campanha para que Israel passe a combater os terroristas com... armas de paintball!

Vocês hão de convir que a idéia é fantástica. Acabaria com vários problemas:

1- Os terroristas poderiam continuar lançando foguetes diariamente, durante o dia todo, sem serem incomodados.

2- Iriam morrer muito mais israelenses do que palestinos, aplacando a ira mundial que reclama que estão morrendo mais palestinos que israelenses. Poderiam até colocar um placar enorme, com resultados instantâneos transmitidos pela TV e pela internet, mostrando quantos israelenses estarão morrendo por dia. A ONU teria a responsabilidade de, como a entidade absolutamente neutra e honrada que é, definir de antemão a quota mínima diária aceitável de israelenses que teriam que morrer. O Lula lançaria até uma Loteria, cujo lucro reverteria para mais algum programa assistencialista e para o fundo de reeleição para o terceiro mandato, onde ganharia quem acertasse o número de israelenses mortos na semana. Os resultados seriam anunciados no domingo, no Fantástico, ou no Faustão, já que o Silvio Santos é judeu e suspeito.

3- O Irã iria desistir de conseguir armas nucleares, já que para varrer Israel do mapa bastaria qualquer arma, nem que fosse estilingue e arco e flecha. O mundo poderia finalmente respirar em paz.

4- Israel não seria mais taxado de estado nazista, já que as tropas de Hitler nunca tiveram a brilhante idéia de usarem paintball para combater as forças aliadas ou para as torturas e assassinatos nos campos de concentração.

5- Os terroristas poderiam deixar as crianças muçulmanas crescer como crianças, pelo menos brincando com paintball, ao invés de brincarem com armas de verdade.

6- Não mais assistiríamos a cenas horríveis na Al Jazeera de crianças e mulheres ensangüentadas ou mortas, porque os terroristas não iriam mais precisar usá-las como escudos humanos e nem esconder armas em mesquitas, escolas e hospitais, ou usar ambulâncias para transportá-las.

7- Os Estados Unidos continuariam a ser chamados de império capitalista demoníaco por fornecer as armas de paintball para Israel, mas poderiam ceder o controle da tinta para a OPEP, que então “regularia” o preço de forma justa, visando o bem da humanidade, como já faz hoje com o petróleo.

8- Gaza se tornaria um lugar alegre e viraria atração turística, com visitantes do mundo inteiro querendo ver a profusão de cores geradas pelos tiros de paintball em suas ruas, casas e muros. Haveria uma votação na internet para incluir Gaza entre as maravilhas do mundo moderno.

Logicamente, como em qualquer solução, por melhor que seja, logo apareceria algum espírito de porco reclamando (provavelmente a França ou uma ONG), dizendo que a tinta dos paintball está sujando a roupa dos coitados dos terroristas, que estão sem dinheiro para a lavanderia. A Cruz Vermelha e outras entidades de assistência fariam coletas de roupas e de dinheiro para ajudar a manter os terroristas limpinhos.

Os aiatolás diriam que Israel está usando tinta impura, porque os infiéis querem profanar o Islã e declarariam um novo Jihad contra o demônio sionista e o contra o império americano até que Israel passe a usar armas que disparem apenas ar.

Por fim, vencidos, os israelense que sobrassem não teriam escolha a não ser ir novamente para a diáspora. Não satisfeitos, os países árabes, reunidos em Damasco, exigiriam a imediata retirada da Palestina ocupada, alegando que o conjugado no Barata Ribeiro 194 (antigo 200), onde o que tiver restado do Estado de Israel teria se estabelecido, havia pertencido a um descendente de Maomé...

sábado, novembro 03, 2007

O Grande Complô

Há cerca de onze meses eu escrevi o meu último artigo, intitulado “Preguiça”. Coincidentemente ou não, desde então não consegui escrever mais nada – dava uma preguiça...

Não é fácil vencer a inércia, ainda mais quando se tem a responsabilidade de escrever algo que tenha algum significado para quem escreve e para quem lê. Hoje a informação – importante ou banal, está nos jornais, revistas, TV e internet, 24 horas por dia, 7 dias por semana. A gente tem uma overdose de informação e, de certa forma, acabamos ficando um pouco anestesiados, menos sensíveis aos dados e notícias que recebemos. É como o cheiro de um perfume que usamos todos os dias: depois de um tempo já não sentimos mais.

Hoje resolvi combater a preguiça e escrever sobre uma coisa que acho da maior importância (espero que você também ache) e que está muito relacionada à quantidade e à qualidade da informação que recebemos.

Recentemente assisti a um filme chamado “Zeitgeist, the Movie” (pode ser assistindo integralmente em http://www.zeitgeistmovie.com/. Está em inglês, mas tem a opção de legenda em espanhol).

Zeitgeist é uma palavra em alemão e significa "espírito da época", espírito ou atmosfera de um período específico da história, características intelectuais e culturais de uma era.

Sem estragar a história para quem for ver, o filme tenta mostrar que ao longo do tempo e de acordo com as características da época, as pessoas foram controladas e manipuladas por entidades que tinham interesses diferentes daqueles publicamente declarados. O filme começa falando de religião, passa por economia e termina abordando o terrorismo.

O filme é relativamente bem feito, com argumentos aparentemente válidos. No site inclusive há a relação das fontes usadas, o que dá um caráter de legitimidade ao que é dito.

Acabei de ver o filme meio chocado, pois ficou aquela sensação de quem foi (e está sendo) enganado esses anos todos sem nunca ter percebido nada, apesar de tão óbvio. Fui então para a internet pesquisar mais sobre os assuntos abordados. Aí veio o segundo choque: várias afirmações feitas parecem não ter fundamento!

Alerta: A partir desse ponto, talvez seja melhor você parar de ler este artigo e só continuar depois de ter assistido o filme, pois pode acabar estragando o impacto do mesmo e influenciar a sua opinião a respeito do que é mostrado.

O filme começa até bem, mostrando a influência que a visão do céu, do sol, da lua e das estrelas teve nas culturas da antiguidade, nos ritos pagãos e como as religiões incorporaram e transformaram estes ritos.

O filme então mostra como o cristianismo absorveu muitas coisas das religiões pagãs e tenta então mostrar que Cristo talvez nem tenha existido. Os argumentos são fortíssimos e impressionam.

Entretanto, ao pesquisar na internet, usando fontes sérias e estudos mais elaborados, me parece que o filme usou um fato concreto (a clara influência das religiões pagãs), para chegar a uma conclusão forçada (que Cristo sequer existiu). Muitos dos argumentos usados não parecem ter fundamento histórico e parecem uma tentativa desesperada (e muitas vezes bem sucedida) de criar no espectador aquele clima de desconfiança e de complô.

Em seguida, o filme mostra como a economia aos poucos assumiu o lugar da religião no controle das pessoas. O filme, mais uma vez, usa fatos concretos como a criação do Federal Reserve nos EUA, a abolição do padrão-ouro nos meios financeiros e a manipulação dos mercados, para chegar à conclusão de que há um plano por trás disso tudo que visa a criação de um governo mundial.

O filme tendenciosamente tenta usar fatos positivos, como a globalização e a abertura de mercados para justificar um suposto complô armado por um grupo de elite. Este grupo estaria visando o controle do mundo, através da eliminação dos países como entidades soberanas e independentes, e da criação de um governo central, de âmbito global, com controle total sobre a liberdade e a vida das pessoas, tal como um Big Brother (não é o programa e sim a entidade Orwelliana) global, onipresente e onisciente.

Para reforçar essa idéia, o filme então dá a cartada final e “mostra” como os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos nada mais foram do que um complô do governo americano!

Ora, eu também acho que as religiões de certa forma controlam as pessoas. Este controle pode ter gerado muitas coisas ruins, tais como as Cruzadas, a Inquisição, a intolerância religiosa e a idéia de que “o meu Deus é melhor que o seu”. Mas, não se pode negar a influência positiva que as religiões tiveram ao ensinar conceitos de ética, respeito, compaixão, convivência e de servir de pilar para toda a cultura existente, seja ela ocidental ou não.

Que o mercado financeiro sempre visou a maximização do lucro, não é novidade nenhuma. Que os grupos financeiros sempre procuraram influenciar os governos e as leis, até um ingênuo sabe. Mas, daí a imaginar que um grupo de “entidades pardas” estaria por trás dos eventos contemporâneos mais importantes, tais como as guerras mundiais, a guerra do Vietnam, o assassinato de Kennedy e a criação da ONU como instrumentos visando a criação de um governo único mundial, me parece um pouco de exagero.

Por fim, achar que 11 de setembro foi um complô do governo e não um ato terrorista, chega a ser desrespeito aos milhares de mortos nos atentados. Imagine a quantidade de pessoas que teria que estar envolvida no planejamento e na execução de tal complô. Estamos falando de centenas ou talvez de milhares de pessoas, todas com famílias, amigos e vizinhos. Será que nenhuma delas teve uma crise de consciência? Será que um segredo tão grande e chocante conseguiu ficar tão bem guardado até hoje, sem vazar?

O filme tenta provar também que os aviões que caíram na Pensilvânia e no Pentágono na verdade nunca existiram. Ora, então cadê os aviões, os tripulantes e os passageiros? Será que foram seqüestrados por marcianos?

Prefiro acreditar que o governo americano agiu de forma incompetente, sendo pego totalmente de surpresa e despreparado, principalmente em função da arrogância e do mito de que o território dos Estados Unidos era inatingível. Lembre que os EUA sempre enfrentaram as guerras fora de casa, nunca em seu próprio território, desde a revolta contra os domínio colonial inglês e a declaração de independência.

Concordo que o terrorismo está sendo usado em muitos casos como desculpa ou oportunidade para limitar as liberdades individuais. Concordo que talvez 11 de setembro pudesse ter sido evitado. Mas, não consigo concordar que tudo isso faça parte de um plano maior, maquiavélico e diabólico, para nos controlar e escravizar.

Acho que a humanidade nem sempre seguiu um caminho virtuoso – a Idade Média e a Alemanha nazista estão aí para nos mostrar isso, mas depois de um tempo a rota é corrigida e o caminho correto é retomado: depois da Idade Média veio o Renascimento, com um impulso vigoroso nas artes e ciências. Depois da Alemanha nazista o conceito de democracia e de combate ao racismo (que até então era considerado normal) tomou força – a criação de Israel está aí como prova viva.

Evidentemente que não vivemos em um mundo perfeito. Longe disso. Mas, prefiro acreditar que o mundo em que meus filhos e netos viverão será melhor do que aquele em que vivo, senão os conceitos de evolução e de continuidade perdem o sentido. E, sem eles, a própria vida fica vazia, sem objetivo, sem valor.

Prefiro acreditar que a gente existe por um motivo, que a nossa vida tem um significado maior e que este sim é o grande complô – criado por Deus.

sábado, dezembro 02, 2006

Preguiça

Hoje eu acordei com preguiça. Por sorte, é sábado e não preciso trabalhar. Assim, fiquei deitado e acabei pensando sobre a preguiça.

Por que será que a preguiça é uma coisa tão mal vista, por que a gente não pode se dar o direito de estar com preguiça e admitir isso sem que fique com aquela sensação de culpa, ou sem que os outros olhem para a gente como se fossemos uns inúteis?

Afinal de contas, tem bicho mais preguiçoso que gato? E todo mundo acha gato legal, bonitinho. Então, por que a gente não pode dar uma pausa de vez em quando, se espreguiçar que nem o gato e não fazer absolutamente nada?

Vejamos por exemplo a idéia de lazer. Chega o fim de semana e temos a nossa “hora de lazer”. Significa ir à praia (engarrafamento, procura por um lugar para estacionar, barraca, criança...), ir comer fora (outra vez engarrafamento, vaga, flanelinha, fila de espera...), ir ao cinema (não vou repetir), ou ir para algum lugar dançar até de madrugada, chegando em casa exaustos de tanto “lazer”.

Na segunda-feira, ao chegar no trabalho, tem sempre alguém que pergunta como foi o fim de semana. Se você disser que ficou em casa dormindo, vai ser olhado como um perdedor, ou um doente. Não, você tem que relatar atividades de deixar maratonista cansado (à propósito, correr maratona na “hora de lazer” pega bem).

E as férias? Férias boas são aquelas em que a gente viaja, de preferência passando por vários lugares, nem que seja naquele esquema de excursão em que tem horário para acordar, horário para comer, horário para ir ao banheiro, itinerário pré-definido, comandado por um sargento alemão disfarçado de guia de turismo. Férias sem fazer nada são consideradas tempo perdido.

Mas, nem sempre foi assim. Até há pouco tempo, era costume “tirar a sesta”, aquela parada no meio do dia, para almoçar e tirar um cochilo reparador. O próprio ritmo da vida era mais lento, refletindo a maior lentidão dos transportes e das comunicações. Era o tempo em que se levava horas escrevendo uma carta à mão, que era enviada pelo correio, que por sua vez a transportava por terra ou navio. Hoje em dia, a garotada acha e-mail lento! O negócio é comunicação instantânea via torpedo no celular. Me surpreendo que ainda não tenhamos o “transporte” do Jornada nas Estrelas...

Não sou contra o progresso, até porque o progresso trouxe os computadores e eu dependo deles para ganhar a vida e poder ter minhas horas de lazer. Mas, acho que está faltando um equilíbrio entre as obrigações e as horas de não fazer nada. Afinal de contas, se estamos sempre ocupados fazendo algo, seja trabalhando ou tendo lazer, quando é que paramos para pensar, para avaliar as nossas sensações, nossas idéias?

Uma vez eu li em algum lugar que um grupo de executivos americanos se reuniu com um empresário japonês para discutir uma proposta de negócio. Os americanos falavam, apresentavam slides e gesticulavam. O japonês olhava tudo calado e, depois de um tempo, fechou os olhos e ficou com uma expressão serena, relaxada. Os americanos consideraram aquilo um desaforo, falta de profissionalismo, pois acharam que o japonês havia dormido durante a reunião. Mas, estavam totalmente errados. O japonês havia fechado os olhos para se concentrar, evitando as distrações provocadas pela visão e fazer aquilo que poucas pessoas fazem: refletir antes de falar, antes de tomar uma decisão.

Assim, da próxima vez que você tiver um tempo livre, experimente não fazer nada. Experimente curtir a sua preguiça e observe os resultados. Pode ser que isso requeira um pouco de prática, afinal de contas, não se freia um trem em alta velocidade de repente.

Eu, por minha vez, ainda estou com preguiça e vou parar de escrever este artigo, para poder me dedicar à arte de não fazer nada.